História São Vito e Mercúrio |
O Edifício São Vito foi projetado pelo engenheiro Aron Kogan e erguido pela Construtora Zarzur & Kogan. As obras começaram em 1954 e foram concluídas cinco anos depois. O terreno original tinha 784,17 metros quadrados. A arquitetura do prédio teve influência do modernismo e foi concebido como "solução" para o problema da moradia popular, embora também tivesse doze conjuntos comerciais. A estrutura é de concreto armado, com brises horizontais. Naquela época, era uns dos prédios mais imponentes da cidade de São Paulo. Três elevadores serviam originalmente o prédio. O último andar é uma área livre de 800 metros quadrados, que chegou a ser usada para eventos nos anos 1960. Os corredores dos andares têm cerca de oitenta centímetros de largura, e as escadas internas, 1,20 metro. Degradação
Na planta original, o edifício tinha 624 apartamentos (24 por andar) com área de 28 a 30 metros quadrados cada, projeto concebido para atrair pessoas profissionais liberais, imigrantes, caixeiros-viajantes e casais que chegassem à cidade durante um período de grande crescimento econômico. Em 1985 a revista Veja em São Paulo escreveu que o edifício era, "talvez, a maior concentração populacional da cidade, [com] 3 mil pessoas, a maioria biscateiros, assalariados modestos e prostitutas". Artigo publicado pela revista Época São Paulo em setembro de 2009 defende que a deterioração que começaria nos anos 1980 deveu-se, "em parte, à homogeneidade do público", ao contrário de prédios erguidos com o mesmo conceito, como o Copan, que eram também atrativos para a classe média. Essa degradação foi acentuada pela divisão de diversas quitinetes em duas, pela instalação de diversas "gambiarras" na rede elétrica (80% dos pontos de ligação do prédio eram clandestinos em 2002) e até pela suspensão da coleta de lixo, o que levou muita gente a atirar sacos de lixo das janelas, além de água suja e restos de comida. O abastecimento de água do edifício era feito por dois poços artesianos até 1982, quando uma cheia do Rio Tamanduateí os poluiu, e a Sabesp passou a ser a responsável, a um custo mais alto. Dos três elevadores originais, apenas um estava em funcionamento em 2002, ainda assim servindo apenas até o 15.º andar, o que gerava filas de até meia hora para os moradores em horários de pico. Desocupação
A prefeitura desapropriou o edifício em 2004, e ele foi totalmente desocupado em 25 de junho daquele ano, quando as últimas 140 famílias deixaram o prédio. A cada família despejada a prefeitura ofereceu um auxílio mensal de 300 reais, pago durante 36 meses. A intenção era reformá-lo ampliando a área de cada apartamento e diminuindo o número de unidades, projeto orçado em 16 milhões de reais em 2003, para que os partamentos fossem revendidos, com prioridade para os antigos moradores. "Resolver o drama do São Vito, símbolo do abandono, é um desafio para a administração", disse Marta Suplicy em 2002. Já nessa época foi feito um estudo para medir o impacto da demolição do São Vito e do Mercúrio. |
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